segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Barragem de Vilarinho das Furnas - Portela do Homem

O programa para o dia 02/10/08, era fazer uma caminhada entre a Barragem de Vilarinho das Furnas até a Portela do Homem, cujo percurso previsto era mais ou menos 20 km, por ser uma caminhada sem trilho definido, o trajecto seria seguido utilizando uma carta geográfica para a orientação.
Pelas 8:30 do dia 02 chegaram os últimos integrantes dispostos a enfrentarem o desafio. O Pedro o organizador e guia, Joel, aspirante, Zé o homem do liquido precioso, Rui Sr. da animação e boas conversas, Lurdes e a Patrícia, mulheres corajosas, mesmo desconhecendo o que nos esperavam pelos caminhos, aceitaram a jornada, como não poderia faltar, lá está este que tenta pela primeira vez, transcrever a nossa jornada, Perácio, iniciante com os Calcantes como também em trilhos em Portugal. Após varias tentativas em outros grupos, os Calcantes aceitou o pedido para poder participar desta caminhada. Achei super bacana esta atitude do Pedro, ao aceitar um desconhecido. Aqui fica meu muito obrigado. Mas como Famalicão não é nenhuma metrópole, ao reunirmos no local indicado, Junta de Freguesia de Gavião, surpresa, eu o Rui e sua esposa Lurdes já éramos conhecidos, para satisfação geral e conforto do entrosamento do grupo. Depois das apresentações e dos desabafos aos que chegaram atrasados, seguimos viagem até a Barragem de Vilarinho das Furnas. O Domingo apresentava com um dia ensolarado, prometendo calor, apesar da época de invernos em que estamos no momento. A viajem até a Barragem de Vilarinho das Furnas foi tranquila, dividiu-se o grupo em dois carros, Pedro e o Zé, em outro carro seguimos, a Lurdes como nossa motorista e a Patrícia de co-piloto, Rui e eu, sobrando o acento do meio para o Joel, meio entalado entre nós, nada que não fosse suportável para um rapaz da sua idade. Após chegarmos, foi hora de vestir a indumentaria e colocar as mochilas às costa, verificar se nada faltava, o tempo por sua vez já estava dizendo que iria pregar partidas naquele que dispensou alguns apetrechos. Tudo organizado, Bexigas vazias, ultimo cigarro (estupidez), começamos a caminhada atravessando a barragem em direcção ao primeiro trilho. Arbustos verde e serra a nossa direita, à esquerda a lagoa formada pela barragem. A menos de 1 km, encontramos a primeira queda de água, tiram-se fotos para posteridade, alguns comentários sobre a paisagem. Continuamos nosso caminho, estrada com pouca irregularidade, mais uma curva aqui outra ali, começamos a descer, depois de algum tempo, surge junto à margem da lagoa as primeiras indicações das divisões em pedra de terrenos que outrora fora uma Vila, mais alguns metros e deparamos com as ruínas das casas parte submersas e outras deixadas desmoronar pelo tempo junto à margem da lagoa. Como o nível da água estava baixo, podiam-se ver o que tinha sido a torre da igreja entre outras construções existente da época. A partir dai, começamos a procura de indicações de trilhos existente, as primeiras estavam bem a vista, mas dai em diante, deixaram de existir. Seguimos a intuição e estando o Pedro mais familiarizado com qual era o nosso percurso, conseguíamos percorrer parte das encostas sem muito atropelo, logo que saímos de junto da vila submersa e começamos a subir, tivemos a visão de como seria nossas primeiras horas de caminhada, muita serra para percorrer. A paisagem sempre agradável, com encostas apresentado um lindo verde de pequenos arbusto, contrastando com um vegetação secas e divisões de terreno em muro de pedra, utilizados em épocas passadas. Podíamos ver ao redor um vista muito bela com a lagoa da Barragem no ponto mais baixo de nossas visões, fazendo grandes paisagens para fotografias, que não foram deixadas ao acaso, afinal lá estava o Rui sempre pronto para registar todos os bons momentos, o Pedro por sua vez procurava os detalhes, coisa pequenos que se destacavam no nosso caminho. Pela 11:30 hs, já tínhamos percorridos boa parte do que seria o nosso ponto mais alto a ser alcançado, neste momento estávamos a 1014 m de altitude. Como a trilha não era fácil de identificar devido ao terreno com sua formação rochosa, e muito irregular, foi hora de tentar a sorte procurando um caminho diferente, então resolvemos fazer um atalho, como sempre os atalhos trazem surpresas, este não foi diferente, acabamos por nos encontrar em um capão, (pequeno campo com vegetação rasteira com árvores), onde encontravam-se algumas vaquinhas, que para surpresa nossa, uma delas se alimentava de um osso, provavelmente de um familiar, pelo que pode se ver no tamanho. Com a nossa presença, afinal para elas vacas, nada agradável, elas resolveram deixar-nos e irem pastar em outro local, por falar em pasto, aproveitamos o ensejo para degustarmos de nossos pães com mortadelas, queijos e outros ingredientes, regados como não poderia ser diferente, de água, afinal somos pelo bem-estar da saúde não é mesmo, as vezes nem por isso. Comentários daqui, prosas dali, procura de nossa localização em um carta geográfica, tentando encontrar o melhor caminho para alcançarmos nosso objectivo. Com piadas de que estávamos perdidos ou nem por isso, mas certos de que nada de grave se passava, afinal temos garra para enfrentar desafios. Dentre todos acontecimentos e palavreados, surge para minha surpresa um café e um excelente licor, que aquece os espíritos e aumenta a disposição para encarar a serra a nossa frente. Parabéns Zé. Quero uma garrafa de presente, já que a receita é segredo. Deixamos o descanso no capão e seguimos caminho, não foi esperar muito para percebermos de que a inclinação que esta a nossa frente não seria nada fácil, muitas pedras, uma subida muito íngreme o que para os mais frágeis, iam galgando devagar e com paragens, afinal o BI, conta assim como a falta de preparo. Neste meio estávamos eu o Zé e a Patrícia, para esta o BI não conta. Foi difícil sim, mas alcançamos o cume que pretendíamos. Ao chegamos a altitude de 1200 metros, tivemos a oportunidade de uma vista muito bonita. Em todo este percurso até ao ponto mais alto, tivemos intervalos de vento frio, e sempre presente a intenção do tempo em mudar para chuva, o que para mim seria um desastre, já que havia deixado para trás as peças de roupa que evitaria que ficasse todo encharcado. Ainda bem que foram somente ameaças. A partir dai, começamos a descer para a Portela do Homem. No decorrer da decida, tivemos algumas surpresas, primeiro parte do grupo achava que deveríamos continuar o caminho seguindo o sentido a esquerda, mesmo não sendo favorável a direita, fiz saber que como a Barragem de onde partimos estava a nossa direita e seria nosso objectivo de retorno, se seguíssemos pela esquerda, chegaríamos sim, mas muito mais tarde e com muito mais caminho pela frente. Como opção de todos, optamos a seguir a intuição. No decorrer da decida resolvemos encurtar o caminho, o que nos levou a um desbravamento de uma encosta com vegetação densa, húmida e risco elevado, onde poderia ter havido algum acidente mais grave. Mas correu bem, achamos novamente o trilho após uma decida de mais ou menos 700 metros com inclinação acentuada. Mais alguns metros e chegamos a Portela do Homem. Local onde reunimos para tirar a foto dos Calcantes participantes da caminhada. Seguimos o Trilho da Geira Romana à Barragem de Vilarinho das Furnas, pelos caminhos encontramos belas paisagens com lagos e cascatas, seguimos acompanhando o Rio do Homem, pelo trilho e caminho como um percurso bem mais agradável para caminhada. Mas mesmo com a facilidade do piso, o percurso teve distancias que sacrificou mais uma vez o trio mais debilitado, devido a uma extensão longa e íngreme, além de termos de recorre a lanternas para poder visualizar onde púnhamos os pés, nesta altura já se fazia noite. A última hora da caminha pode dizer foi difícil, devido ao cansaço e as horas que já caminhávamos, por fim chegamos novamente ao ponto de partida. O frio de doer os ossos, a noite escura, e o céu prometendo muitas estrelas para madrugada, então nos, os retardatários encontramos os demais repondo as forças com seus lanches, onde aproveitamos para fazer o mesmo e descalçar as botas. Horas de trocar mais algumas amabilidades que não faltaram em todo o caminho. Desfase das mochilas, troca-se os casacos os calçados, é hora de seguir viagem até Vila Nova de Famalicão, Junta de Freguesia de Gavião. Agora a despedida, os comentários sobre alguns detalhes engraçados e planos para a próxima aventura que já esta agendada para 29/10/08 Rota Del Cares. Esta posso dizer, difícil pelas condições dos trilhos, mas excelente dia passei ao ar livre, com óptimas pessoas.
Aproveito para agradecer a oportunidade em participar deste grupo, que foram agradavelmente amigáveis. Sempre que existir novas oportunidades e disponibilidade farei parte de novas caminhadas. Meu muito obrigado a todos.
J. Perácio
Pontos a destacarem:

Inicio do Trilho - Barragem de Vilarinho das Furnas
Altitude: 561 m
Aldeia de vilarinho (Submersa)
Vilarinho das Furnas - Portela do Homem

Altitude: 576 m
Subida para o curral de porto covo
Altitude: 965 m
Curral Peijoanas (Capão) – local do lanche
Altitude: 1014 m
Curral do Ramisquedo
Fronteira Portugal Espanha
Altitude: 1200 m
Portela do Homem
Altitude: 760 m
Trilho da Geira Romana
Barragem de Vilarinho das Furnas
Total do percurso 25.250 m.

1 comentário:

Zé Ruy disse...

Pois é amigo Perácio,
agora quando vieres connosco novamente, não te esqueças de trazer uma garrafa de caipirinha ou cachaça.Ñão é para bebermos, eu levo-a comigo que fica bem segura para caso alguém se cortar eu faço o tratamento em vez de álcool(se ainda houver nessa altura eh, eh!)

uma abraço do teu amigo calcante:
Zé Ruy