segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Magusto - Penedo das Letras

Estávamos curiosos para a nossa estreia nas caminhadas com os “Calcantes”. A Inês, de 2 anos, gritava no carro que não queria por o cinto de segurança. Estava ansiosa para sair do carro e começar a caminhar. O irmão, o Bruno de 9 anos, perguntava insistentemente: “Quando chegamos ao início da caminhada? Ainda falta muito?” E eu, ansioso que a caminhada começasse, para deixar de ouvir tantas reclamações. Enfim, estávamos os 3 estreantes muito ansiosos. A única lá em casa que encarava esta caminhada com naturalidade era a Manuela, que já conhecia o grupo “Calcantes” e sabia que iria ser bem divertido. Ela até já me tinha falado no café e no licor do Zé, como o marco mais importante nestas aventuras. Finalmente chegamos ao Gavião, ponto de encontro para todo o grupo. Aos poucos, os caminhantes foram chegando. Deu para perceber logo que estávamos perante pessoas simpáticas e bem divertidas. Depois de reunidas as tropas, lá partimos em direcção ao ponto de partida da caminhada. Ao chegarmos ao local, uma pequena localidade no sopé do monte que iríamos subir, estacionamos os carros e olhamos para o nosso objectivo... Uma subida a pique indicava que o início não iria ser fácil. Respiramos fundo e enfrentamos a subida com pernas de quem até subiria o Everest se fosse preciso. A subida foi longa... Bem longa... Ainda hoje estou a pensar como seria a geografia do local, parecia que tinha mais subidas do que descidas. Será isto possível???
A Inês estava eufórica, até preferiu apanhar boleia de colo e assim já conseguia ver melhor a paisagem. Pouco depois, o transporte até era confortável, resolveu dormir um pouco. O irmão divertia-se imenso, a correr, a apanhar paus e pedras... e a cair. Nada que um bom caminhante nunca tenha experimentado. Lá chegamos ao Penedo das Letras, o cume do nosso “pico”, o primeiro pico do dia. Aqui, montamos o nosso restaurante. Cada um puxou do seu almoço e no fim... Lá veio o café quentinho acompanhado dos famosos licores de leite e de cereja... Divinal!!! Não sei onde o Zé terá aprendido esta receita, talvez nalgum mosteiro. Era digno dos monges. Depois de recuperadas as forças, voltamos ao percurso, próximo objectivo: largo da Capela de S. Vicente em Sezures onde iríamos fazer o magusto. Agora foi sempre a descer, descidas bem íngremes e com algum grau de dificuldade. Devia ter levado o meu tobogã, seria uma descida mais rápida. Quando chegamos ao largo, parecia que a aldeia estava à nossa espera, até tinham um porco para assar no espeto. Mas afinal, não era para nós. Mas foram muito simpáticos e forneceram a caruma para a nossa fogueira. Lá sacámos todos do nosso bilhete desta caminhada, o 1/2kg de castanhas. Acompanhadas com um vinhinho tinto, foram um mimo. Tudo pensado ao pormenor. Muito típico de uma tarde de S. Martinho.
O fim da tarde chegava rapidamente e foi preciso uma decisão radical. O regresso iria ser demorado e com muitas subidas. As crianças e as pré-mamãs apanharam boleia e regressaram de carro. O resto do grupo regressou a pé, sempre a subir, a subir e quando finalmente se deparava o mais fácil, que seria a descida final, o Pedro
tomou a decisão de conhecermos os “picos” de Famalicão. Descemos o resto a corta-mato... Ai, ui, ai, ui. E pronto, lá ficaram as medalhas da primeira caminhada com os Calcantes.
No regresso a casa:
– Então, Bruno e Inês, gostaram da caminhada?
– Siiiiiiiiiimmmm – responderam em coro.
– E querem repetir?
– Siiiiiiiiiiimmmm.
Deixamos aqui, ao grupo todo, o nosso muito obrigado por este dia agradável que nos proporcionaram.
Inês, Bruno e Emanuel Rocha
Magusto Penedo das Letras

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