domingo, 7 de dezembro de 2008

Picos da Europa

Os CALCANTES departamento de montanha do SPORT KRACHRTBAL CLUBE encerra as actividades de 2008 com a primeira caminhada internacional realizadas nos Picos da Europa (Espanha), o trilho escolhido foi o tradicional "Desfiladeiro da Rota Del Cares" sendo esta a primeira de algumas caminhadas que o grupo pretende realizar a nível internacional. É de louvar o companheirismo e o espírito de equipa entre todos os elementos que participaram, pois com as condições climatéricas que o grupo encontrou, muita neve e muito frio, só assim foi possível a realização do trilho com sucesso. Para 2009 já estão agendadas todas as caminhadas do grupo, onde todos os apaixonados pelo Desporto / Natureza podem-nos acompanhar, para tal basta e entrar em contacto com o grupo.
À caminhada aos picos da Europa foram algumas pessoas pela primeira vez com o nosso grupo “Calcantes” uma delas a Raquel Ferreira relatou a sua experiencia e como e costume aqui vai a experiencia de uma iniciada.

Foi com grande alegria que vi sábado, dia 29, a chegar. Já há algum tempo que a minha mãe me tinha falado do grupo e do passeio e, embora no início estivesse um pouco relutante, a ideia acabou por crescer em mim e aos poucos fiquei cada vez mais ansiosa.
Depois de conhecer o grupo (na altura não falámos muito, mas vi logo que o tio Rui era cá uma peça...) pusemo-nos a caminho. À medida que nos movíamos para norte, o tempo ia ficando mais fresco, e, já a chegar à fronteira, nevava. Na altura, adorei, e nem sequer me passou pela cabeça que aquilo podia ser o presságio daquilo que nos estava prestes a acontecer... Fui tentando tirar fotografias, se bem que a maioria ficou desfocada por causa do movimento do carro.
Depois de atravessarmos a fronteira, foi quando a coisa ficou mais feia. Íamos andando pela auto-estrada, estava a nevar bastante, e não tínhamos avançado nem 10 quilómetros quando nos vimos literalmente presos na neve. Nem a carrinha nem o carro da minha mãe conseguiam avançar, e quando tentávamos eles deslizavam e rodopiavam. E não éramos os únicos; olhando para trás, a fila de carros e camiões parados era infindável.
Pensámos que o melhor a fazer era ficarmos parados à espera que viesse um limpa-neve desimpedir a estrada. Vimos imensos carros a passar-nos ao lado graças aos seus pneus para a neve, e nós ali encalhados. Foi durante o tempo que estivemos parados que anoiteceu.
Na faixa contrária, um carro estava encalhado na beira da estrada e estavam lá uns policias a assistir. Durante o tempo que lá estivemos, chegámos a ver cerca de dois ou três limpa-neves a passar na direcção contrária, e pensávamos sempre que ele ia dar a volta e limpar a nossa estrada. Mas estávamos enganados. Passadas duas horas de estarmos parados, um dos ‘caros’ e ‘prestáveis’ polícias lembrou-se de finalmente nos dizer que eles não iam limpar a auto-estrada.
Pois, sinceramente, não entendi. Uma auto-estrada, ainda por cima que liga a uma passagem de fronteira, e eles simplesmente deixam-na estar assim, com tanta gente a tentar avançar. Claro está que lhes perguntámos “Não vão limpar a estrada?”, mas o caríssimo e educadíssimo policia simplesmente respondeu que “No, no vamos a limpiar la autopista, que quieres que haga?!”
Mas então não é óbvio? O que eu quero que você me faça é aí um churrasquinho que eu ‘tou com fome e vinha mesmo a calhar! Para que é que o senhor policia é pago? Não há sistemas de emergência neste país? Eu fiquei completamente estupefacta com esta situação...
Lá nos pusemos a empurrar o carro aos bocadinhos e à medida que íamos avançando a estrada ia ficando mais seca, e conseguimos avançar mais facilmente. Já passava da meia-noite quando chegamos a León, e, sem quaisquer cerimónias, fomos comer ao MacDonald’s. Eu, embora não seja grande fã de MacDonald’s, já estava para tudo... Depois de comermos, foi tempo de decidir onde ficarmos pela noite, pois era obvio que não íamos conseguir chegar aos Picos da Europa nesse dia. Mas àquela hora era também um bico de obra arranjar onde ficar. Ainda andámos umas horas a saltar de vila em vila à procura de um hotel ou residencial onde dormir, mas ou já estavam fechados ou estavam cheios. Já me doía tudo, a cabeça, as pernas, as costas, e estava outra vez a ficar pior da tosse e da constipação. O desânimo era geral, e penso que quase todos nós pensávamos que íamos dar a volta e regressar a Portugal no dia seguinte.
Eis que, finalmente, numa terrinha, um porteiro de um Hotel que estava cheio nos deu indicações para um ‘Hostal’ que estava aberto. Lá fomos nós, completamente exaustos mas aliviados por termos arranjado onde ficar. Bom, o tal ‘Hostal’ era constituído por uns quantos quartos em cima de uma tasca. Se bem que esse não era o problema. Depois de um bom bocado a preencher as fichas (o homem confundiu o numero de quartos, depois os nomes, entre outros) subimos para os quartos. Os corredores cheiravam a mofo, mas de resto até tinham um aspecto novo. Depois abrimos a porta do quarto e... ficámos parvas. Tinha duas camas de campanha, um armário pregado na parede, mas o melhor era mesmo as paredes com bastante humidade e - isto para mim foi um choque - uma casa de banho no quarto. Dentro do quarto, mesmo. Frente às camas, tínhamos um lavatório e um bidé. Fiquei bastante surpreendida, e até tirei fotografias. O quarto em si não era impossível de se estar, e pelo menos estava tudo limpo, mas pelo que pagámos, estávamos a contar com algo muito melhor.
Após uma noite de sono, já estava tudo com melhor humor. Já com as roupas de neve, preparámo-nos para fazermos o resto do caminho que faltava para chegarmos à tal casa que tínhamos reservado. Levou-nos talvez cerca de uma hora e meia a lá chegar, e que maravilha de sitio! A casa não tinha nada a ver com as condições do sítio onde tínhamos ficado na noite anterior. Grande, quente, bonita - absolutamente impecável. Lá nos instalámos, arrumámos e preparámos alguma comida e pusemo-nos a caminho.
O início do trilho era bastante íngreme, e custou-me um bocado a iniciar o trajecto, mas a minha teimosia era mais forte e fui conseguindo acompanhar o grupo. Não foi preciso muito para ficar cheia de calor e tirar o casaco.
A caminhada foi mais curta do que tinha sido planeada, pois, graças a todos os contratempos, não começámos à hora inicialmente estipulada. Ainda assim, foi um lindo passeio, onde pudemos ver fantásticas paisagens, desde montanhas cobertas de neve ao fundo, o riacho que passava abaixo de nós, os vários rebanhos que passeavam na encosta quase vertical, entre outros. Houve quem tivesse simpatizado muito com as cabras que íamos encontrando pelo caminho, já eu não tive tanta sorte; quando tentei tirar uma fotografia de perto a uma, veio logo um bode a correr com ar ameaçador. Pronto, lá continuei o meu caminho, mas o animal ainda me seguiu durante um bocado.
Mais à frente tornou-se bastante mais fácil de caminhar pois o percurso era completamente horizontal, e já caminhava com uma outra disposição. Estive a maior parte do tempo a tirar fotografias e a filmar; fiquei bastante impressionada pela imensidão e beleza de tudo aquilo.
Mais à frente tirámos a fotografia de grupo, que ainda nos demorou um bocado pois eram muitas máquinas e era difícil cronometrar os disparos, mas lá conseguimos. Avançámos mais um pouco e parámos para comer. Chegaram a passar por nós algumas pessoas, mas de resto não se via mais ninguém.
O caminho de volta foi já mais fácil e descontraído, pelo menos para mim, e acho que termos apanhado o anoitecer foi uma experiência espectacular. Adorei aquelas lanterninhas de pôr na cabeça...
Na volta começou a chover um bocadinho, mas não houve qualquer problema graças às roupas que levávamos, e o resto do percurso fez-se bem. Tirando, claro, o facto do tio Rui ter-me arrastado na sua busca dos calhaus. Mas eu lá encontrei um bonito e trouxe comigo. Já ele, queria trazer um calhau para esculpir para centro de mesa ou algo assim, não sei! Mas bom, vou mas é calar-me antes que ele me dê 10 minutos outra vez...
Durante a caminhada, acabei por conversar com a maior parte do grupo, e achei-os simplesmente impecáveis, super bem-dispostos e muito divertidos e aventureiros. Foi um dia muito bem passado.
Quando chegámos à casa fomos tomar um banho quente rápido para depois irmos comer. Houve quem tentasse fazer churrasco mas parece que o tempo não estava a deixar, então acabámos por usar a lareira que havia dentro de casa. Durante o jantar, houve um grande convívio e união, sem deixar de mencionar a santa música fornecida pelo DJ Rui! Claro que a faixa favorita dele era a do espanhol, que ainda hoje ouço na minha cabeça. Depois deste houve um momento de conversa geral, com muitas gargalhadas e divertimento. Eu já estava um bocado cansada, por isso sentei-me no meu cantinho a desenhar, enquanto o pessoal (leia-se Pedro, tio Rui e Daniel) discutia sobre... qualquer coisa relacionada com futebol, acho.
No dia seguinte, a minha mãe ainda me perguntou se eu queria ir na caminhada mais curta que eles tinham planeado fazer, mas eu estava com sono e acabei por ficar. Só quando eles voltaram é que soube que tinha sido uma caminhada em neve! Fiquei mesmo muito triste, se soubesse que ia ser em neve tinha ido. Mas da próxima não me escapa...
Por esta altura nevava lá fora, e estava tudo coberto de neve, então vesti-me e fui pelas ruas tirar algumas fotografias com a minha mãe, e, como uma criancinha, brinquei um bocadinho na neve. Nunca tive muito contacto com estes ambientes, por isso fico outra vez com 10 anos.
Almoçámos e preparámos tudo para voltarmos para Portugal. Quando fomos aos carros, estava tudo coberto de neve, e ainda estivemos ali um bocado a limpar os mantos brancos que cobriam os carros. Claro que isto gerou uma pequena guerra de neve, todos contra todos. Foi um momento que, embora tenha sido curto, foi muito bem passado, e foi sem dúvida um dos momentos que mais gostei no passeio.
Parámos numa vila lá perto para comprarmos uns pins dos Picos da Europa, e eu dei uma olhadela em botas para comprar para futuras caminhadas. O regresso a Portugal decorreu sem grandes percalços, e foi no geral uma viagem calma e silenciosa. Bom, na carrinha não deve ter sido, com o tio Rui a cantar lá a música do ‘No tengo dinero’...
Em suma, foi um fim-de-semana fantástico, onde não só conheci um sítio fantástico como pessoas únicas e formidáveis, com uma grande união entre si e ainda assim muito acolhedores de novas pessoas. Todos os bons momentos fazem-me certamente esquecer os problemas com que nos deparámos durante a viagem, e espero ter oportunidade de ir a mais passeios com este grupo espectacular!
E olha, tio Rui, até te comprava um centro de mesa para não achares que precisas de trazer calhaus, mas ‘no tengo dinero’...!
Raquel Ferreira
Picos da Europa

Para quem quiser conhecer a musica "No tengo dinero"https://www.youtube.com/watch?v=gS3Wi-3XKYc

3 comentários:

ze ruy disse...

no tieno dinero e nada que dar!
só tenho este amor para te amar!
se assim tu me queres...
te posso querer!
pero si não puedes...
que posso fazer?


vá! agora, todos em coro!
não tieno dinero....lá, lá, lá

White Angel disse...

Oi Pp...

So agora é que reparei que a Quelinha ta GRAVIDA....:) PARABEEEEEEENS!!!!!!!!!!!!!!

Quando Nasce????

Fotos espectaculares... tenho de fazer uma caminhada convosco.... saudades........

Abraço Montanheiro...

Anónimo disse...

Quem me dera ter lá estado (tb estivemos (UPB) pra lá ir)....


Excelentes FOTOS.

Continuação de BOAS aventuras na SERRA.



medronho