domingo, 7 de dezembro de 2014

Peña Trevinca

Caminhada Peña Trevinca, Sanábria, província de Zamora em Espanha.
Um dia depois da caminhada na Serra de Peña Trevinca, a contemplação deu lugar à evocação. Um filme em que todos os personagens ficam enregelados, molhados, cansados mas com um sorriso de orelha a orelha, extasiados pelo prazer de ficar a conhecer mais, pelo prazer de estar entre amigos e de ter conseguido... mais uma conquista, mais uma montanha de saberes. Solidariedade, respeito pelo outro, cooperação e autoconceito. Pergunto-me, onde e como é possível aprender tanto em tão pouco tempo.
Eramos dezassete .... de Vila Nova de Famalicão, Guimarães, Braga, Rio Tinto e Felgueiras. Cinco da manhã foi a hora de partida, dois carros e um táxi. Tudo como previsto, também a chegada à terra de “nuestros hermanos”.
Não me lembro de tanto frio. Lindo dia, alguma neve e muito gelo. Vários deslizes e algumas quedas dignas de uma boa filmagem, nomeadamente a minha, com aterragem aos dois joelhos em tarefa de socorro a alguém que estava no chão com um ataque de riso.
Sempre com um olho no “El comandante” e outro na Peña Trevinca, subindo e descendo encostas, passamos por lagos parcialmente gelados, alimentados pelo subafluente do nosso rio Douro, chamado rio Tera. A propósito de uma barragem local, a barragem de Vega de Tera, e porque num bom filme há sempre uma morte, ficamos a saber que em 1959, a dita barragem sofreu um rombo o que provocou uma torrente de lama e água que acabou por soterrar parte da aldeia de Ribadelago e matar 144 habitantes, tendo sido resgatados apenas 28 corpos. Os restantes repousam para sempre no fundo do grande lago de Sanábria, onde a imensa torrente desembocou.
Com a Serra de Peña Trevinca na mira, alguém dizia “já tentamos duas vezes chegar ao topo mas hoje vamos conseguir ....”. E assim foi, com todo o entusiasmo e valentia foram superados todos os obstáculos. Lá em cima já se ouviam os assobios, de contentamento e de entusiasmo. Mais em baixo estavam os restantes, em filinha indiana, faltavam as energias, mas não o querer.
Chegada ao topo, a sensação do dever cumprido, algo de sagrado reinava e não era apenas a pequena caixa do presépio .... Confraternização, fotos, filmes e até alguém posou “tipo” Cristo Rei a embelezar, não o Tejo mas o serrario a tocar as nuvens.
Houve tempo para tudo, comer, beber, descansar e contemplar a linda paisagem.
De volta e com o sol a pôr-se, foi sempre a andar. Mas o estranho é que encontramos outros caminheiros que vinham em sentido contrário ao nosso. Sozinhos, desviados umas tantas centenas de metros, pareciam uns eremitas a meditar. Fiquei hoje a saber que em Espanha, também é feriado e tinham a segunda para descansar.
A meta ainda estava longe, já de noite, até parecíamos pirilampos, a desviarmo-nos do gelo e sempre à procura dos faróis dos carros estacionados no parque. Está confirmado, o “rabo é o mais difícil de esfolar”.
Chegados, para nos darem as boas vindas, uma verdadeira mesa de aniversário, não faltava bolo nem o respetivo champagne, nem mesmo “vinho fino”, tudo em homenagem à nossa companheira, Sandra Azevedo.
Regressados, fica, em cada um, mais uma história para contar... esta é a minha.
 Adelino Ramos
 

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