domingo, 1 de fevereiro de 2015

Pitões das Júnias

Uma caminhada impossível de esquecer!...
Bela, silenciosa, espiritual, misteriosa, culta...Muitos são os adjetivos que se podem usar para descrever uma grande capital europeia, ao invés, estamo-nos a referir provavelmente à “aldeia mais antiga e inóspita de Portugal”, Pitões Das Júnias.
Entalhada na rocha granítica, entre os Picos do Gerês e o Planalto da Mourela, a cerca de mil e duzentos metros de altura, Pitões Das Júnias, no esquecimento, e no isolamento, teve que aprender a ``Ser``. Conserva enorme riqueza social e cultural que tem sido, e muito bem, enobrecida, admirada e preservada pelos seus habitantes.
É também este um dos propósitos dos Calcantes e um dos motivos para a repetida caminhada, neste dia 1 de Fevereiro de 2015.
São bem-vindas as medidas inteligentes de segurança e sustentabilidade mas não aquelas designadas “por decreto”. A este propósito, António Aleixo, nascido em Vila Real, mas de Santo António, no Algarve, um dia escreveu:
“Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência”
Posto isto, a nossa caminhada foi um sucesso! 68 alegres e despretensiosos caminheiros chegaram e souberam disfrutar o excelente dia e a interessantíssima caminhada. O “Eu” criança de cada um soltou-se quase em simultâneo com a “chegada à neve” depositada nas bermas das ruas e caminhos, parecendo fofos passeios brancos. Não faltaram bolas de neve a voar.
Parecia uma paisagem natalícia, com os carvalhos entrecruzando-se a pender gelo, e as águas dos ribeiros, em socalcos, ora contornando ora submergindo delicadamente as rochas. Que belíssimas imagens vivas e tão agrestes, dispostas nas encostas íngremes com trilhos indecifráveis.
Depois de percorridos os cerca de quinhentos metros numa ruela grosseiramente calcetada e forrada a gelo, encontramos o ex-libris da aldeia, o Mosteiro de Santa Maria de Pitões das Júnias. Está quase em ruínas mas a sua beleza continua a permitir o enquadramento para lindas fotos, nomeadamente, o que resta dos seus claustros.
Por cima dos muretes estreitos das levadas, quase sempre em desequilíbrio, sustentados por tufos de ervas, percorremos parte do leito do ribeiro de Campesinho.
Continuando, por um passadiço, de aspeto acabado de fazer e paralelo à encosta, acedemos a um miradouro com vista para uma das maiores quedas de água do Barroso. A Cascata de Pitões das Júnias.
Perto, existe um valioso e centenário Carvalho que, segundo a lenda, serve de refúgio a um duende. Desconfio que este deve ser um duende bom, já que tem vindo a proteger esmeradamente este tesouro natural.
Tal como nas fábulas, há sempre um duende mau, diabolizado e interesseiro. Aqui também existe um!
Esse duende MAU, interesseiro e triste, tentou impedir-nos de fazer a caminhada em Pitões das Júnias mas o MAU foi vencido pelo BOM.
Os Calcantes, fizeram um trilho espetacular e como diz alguém “Há mais marés que marinheiros”. Não vão faltar oportunidades para visitar a capelinha de São João da Fraga, numa autêntica romaria.
Como a visão era mágica, aproveitamos para tirar a foto de grupo, captando toda a energia positiva, própria da simplicidade e a harmonia dos pedestrantes.
Depois de bem comidos e bebidos e com a neve a cair, subimos e descemos ladeiras na senda de Pitões das Júnias. Fomos chegando aos poucos e poucos e o ponto de encontro foi frente à Junta de Freguesia.
Visitámos a serrana aldeia, nas suas entranhas com neve, nomeadamente: forno do povo, relógio de sol, a Igreja Matriz e assistimos à chegada da Vezeira.
Balanço muito positivo. Parabéns aos Calcantes.
Venha mais uma.......
Adelino Ramos
Pitões das Junias

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