domingo, 28 de junho de 2015

PR 5 - Águia do Sarilhão

Domingo, 28 de Junho de 2015
Caminhada: Trilho da Águia do Sarilhão
Fecho os olhos para abafar o racional e deixar exprimir livremente toda a beleza captada pelos sentidos numa das mais qualificadas regiões do país – O Parque Nacional da Peneda Gerês, onde se inclui o Trilho Águia do Sarilhão.
Com toda a modéstia, a paisagem ficou ainda mais encantada com a presença dos Calcantes; tal como um espetáculo, este, só faz sentido, se existirem espetadores ativos, exigentes e ávidos pela busca de novos contextos e aprendizagens.
A propósito destas terras e da sua grandeza, Miguel Torga, escritor entusiasta do Gerês, das suas paisagens e das suas gentes, afirma: “nunca vi nada mais puro, mais gracioso, mais belo, do que um tufo de relva que fui encontrar um dia no alto das penedias da Calcedónia, no Gerês”
Palavras para quê? Para descreverem os equilíbrios dos contrastes. Há fraguedos que tornam agreste a paisagem mas no vale as terras são povoadas e cultivadas como jardins; as temperaturas elevadas do verão são apaziguadas com a frescura dos medronheiros, dos carvalhos e das águas abundantes; a barragem que escondeu a Aldeia Comunitária de Vilarinho das Furnas, desde 1972, transformou-se num espelho de água da cor do firmamento, com praias de areia muito branca que mostram como será o éden, com divas, ecoando mensagens que fazem bem a quem as ouve.
O trilho da Águia do Sarilhão, pretende alertar para a preservação da Águia Real que nidifica na Fraga do Sarilhão. Confirmou-se a raridade da espécie porque não se avistou nenhum dos seus elementos. Nada melhor do que estas caminhadas para sensibilizar o povo para a necessidade de acarinhar tudo o que é fauna e flora. As espécies evoluíram, pela adaptação inteligente às situações e por isso conquistaram o seu espaço e merecem todo o respeito. Têm, como o Homem, funções importantes, que convergem para o desenvolvimento das regiões e dos países.
Por falar em “aves raras”, estas cruzaram-se connosco. Bem perto do início da caminhada, o entusiasmo aumentou, as conversas laterais tomaram outros rumos, quando mesmo ali, a escassos metros da estrada, um grupo de nudistas resolveu partilhar, com os transeuntes, os seus dotes naturais, nomeadamente acústicos. Cantavam, desalmadamente, como que a dizer “Está-se bem”, “Peace and Love.”, Não lhes faltava nada. Fomos todos apanhados de surpresa e, talvez por isso, só interrompemos a marcha por breves instantes. Contudo, as conversas mais ou menos moralistas tornaram-se em “mainstream”. Em direção à Albufeira de Vilarinho das Furnas, admiramos o parque de campismo Vila do Gerês, cheio de vida e ótimas condições. É uma boa opção para passar uns dias.
Tomando a Geira Romana, entre os marcos miliários, XXVIII e XXIX, bem delimitada e sombreada por Carvalhos e pinheiros, começamos a vislumbrar, do lado da Serra Amarela, uma porção enorme de água.
A temperatura aumenta a cada passo como pretexto para uma banhoca nestas águas.
Chegados à praia fluvial, os ânimos só serenaram dentro de água, com brincadeiras que faziam lembrar jovens adolescentes, chafurdando-se. Alguns, até filmaram os seus exímios movimentos debaixo de água. Só faltou dizerem “Olhem o que consigo fazer …. Filma aqui debaixo de água” Outros, boiavam, gozando os prazeres dos raios de Sol. A água estava um caldinho e cada um descobriu como melhor a podia aproveitar.
Todo o tempo seria ainda pouco para tanta diversão e folia.
Logo a seguir, cada um tirou o farnel e partilhou as suas iguarias pelos restantes companheiros. Aliás, como é comum em grupos de amigos.
De realçar, um, que, encimando a tábua com o seu chouriço, o distribuiu irmãmente.
Não houve reclamações, pelo contrário, elogios não faltaram. Também ninguém desdenhou do café oferecido pela organização e do xiripiti do Zé.
São hábitos que se transformaram em práticas habituais, alegram corações e estimulam o convívio e a confraternização, através da ação da serotonina.
Ainda o astro rei estava no seu auge quando avançamos, serra acima.
Durante o trajeto foram ainda feitas as fotos de grupo com a lagoa e a Serra Amarela como pano de fundo.
Como esta caminhada era apenas de 9 Km. Sobrou tempo para uma ida a uma outra praia fluvial onde houve mais diversão e nos despedimos até uma próxima caminhada.
O balanço foi muito positivo. Mais umas páginas que enriquecem as nossas memórias. Realço a riqueza paisagística, o conteúdo histórico e o convívio.
Estamos todos de parabéns, os Calcantes SKC Calcantes, os Sarrabiscos e o grupo de guias, oriundos de diferentes zonas geográficas, nomeadamente: Vila Nova de Famalicão, Braga, Felgueiras e Rio Tinto.
Obrigado a todos os Calcantes SKC Calcantes
Venha mais uma. …
Adelino Ramos


PR5 - Águia do Sarilhão

Sem comentários: